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Postado em 24 de Abril às 08h08

Solo: um sistema vivo e complexo

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Em escala temporal, não conseguimos visualizar a formação do solo durante as nossas vidas, o que o torna um recurso natural não renovável. Ele é a base fundamental para a produção de alimentos e essencial para o sustento da vida animal e vegetal. Abriga a biodiversidade e os ciclos biogeoquímicos, garante a reciclagem de elementos químicos e naturais nutricionais no meio, serve como filtro e armazenagem de água, entre outros inúmeros benefícios.

Apesar de sustentar a vida na terra, entretanto, em diversos locais o solo se encontra em condições de uso inadequados quanto à sua conservação. Assim, práticas e mudanças que estimulem um aproveitamento mais sustentável, visando sua preservação, se tornam a cada dia mais numerosas e importantes.

Essa mudança global na forma de trato do solo pode ser observada em relatório global de 2019 da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), sobre o estado da biodiversidade que sustenta nossos sistemas alimentares. Segundo o levantamento, 80% dos 91 países analisados vêm adotando ações favoráveis à biodiversidade, como o manejo integrado, agricultura de conservação e uso de soluções sustentáveis no cultivo.

Como exemplo, podemos citar a adoção de manejos cada vez mais amigáveis às plantas, animais e ao solo, e que estimulem a expansão da microbiota nativa. Assim, vemos o crescimento no investimento em biotecnologias que contribuem naturalmente para o desenvolvimento das cultivares, nutrindo o solo de forma equilibrada, produzindo mais e melhor. A partir delas, será possível maximizar os recursos naturais, recuperar biodiversidade e entregar à população alimentos de qualidade e com alto teor nutricional.

Adotar essas soluções é o caminho para contribuirmos para o fortalecimento da base de nossa cadeia de produção alimentar. Precisamos de um solo cada vez mais rico, capaz de sustentar uma população global crescente. Não percamos de vista que, segundo a FAO, cerca de 33% dos solos mundiais estão degradados, por meio de impactos diretos ou não, e 20 bilhões de toneladas se perdem ano após ano devido às erosões, inviabilizando uma maior produtividade de alimentos.

Desta forma, sua degradação acarreta perdas de elementos nutricionais, de biodiversidade e de carbono estocado, que resulta em emissão de gases de efeito estufa para a atmosfera. Assim, a saúde do solo e a sua fertilidade possuem impacto direto sobre o conteúdo de nutrientes das nossas culturas alimentares, o que afeta tanto a quantidade quanto a qualidade dos alimentos.

É necessário trabalhar em parceria com a natureza, por meio de soluções biotecnológicas naturais, para chegarmos ao equilíbrio do meio. Logo, aumentar a qualidade do solo, favorecer a sua atividade natural, aumentar os estoques de carbono e promover o equilíbrio físico-químico da rizosfera são estratégias fundamentais para favorecer a dinâmica do sistema vivo e complexo chamado solo.

 

Por Guilherme Bavia, engenheiro agrônomo e gerente técnico da Alltech Crop Science

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