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Postado em 13 de Fevereiro às 09h49

Parceria entre entidades do agro para buscar alternativas de abastecimento de grãos para ração

Grãos (61)

É nas crises que se encontram as soluções. É com esse provérbio que as entidades do setor agropecuário de SC estão buscando alternativas para suprimento de matéria prima para produção de ração e, consequentemente, a produção de carnes em nosso Estado.

Numa parceria inédita de 10 entidades ligadas ao agronegócio, está sendo buscado alternativa de produção de grãos de inverno. Lideradas pela Secretaria da Agricultura, a proposta iniciada pelo então secretário Airton Spies e dado continuidade pelo atual secretário, Ricardo de Gouvêa, as entidades vem realizando diversas reuniões para definir um projeto que incentive a produção de grãos de inverno, para abastecer pelo menos parte das necessidades de milho em SC.

O Estado produz menos de 3 milhões de toneladas por ano e consome quase 7 milhões, e ainda em determinadas épocas do ano é exportado o milho. Uma das alternativas seria a produção de trigo, triticale e cevada, para tentar minimizar esse déficit. Até agora a demanda do milho é procedente do Centro-Oeste e do Paraguai. Os consumidores já não tem tanta segurança que região vai mandar milho para o Sul, pois com a construção da Calha Norte de rodovias e ferrovias, é mais econômico para eles exportarem pelos portos do Norte do país. A saída aqui no Sul é aproveitar as áreas ociosas no inverno e plantar grãos dessa estação para reduzir a importação.

Faesc, Fetaesc, Ocesc, Fecoagro, Sindicarne, Acav, Epagri, Embrapa e Secretaria da Agricultura se uniram e cada uma vai ter uma missão nesse projeto: estimular os agricultores a plantar trigo, triticale ou cevada. O lançamento do Protocolo de Intenção será nesta quinta-feira, em Mafra, na abertura do Fórum Mais Milho do Canal Rural.

A proposta do Programa de Incentivo ao Plantio de Grãos de Inverno em SC tem como objetivo ampliar a área plantada e o volume produzido no Estado, com o intuito de minimizar o déficit de grãos para produção de ração, a fim de suprir as demandas da cadeia de proteína animal do Estado.

São metas de curto prazo: estabelecimento de contratos futuros garantindo à absorção dos cereais (trigo, triticale e cevada) pelo mercado consumidor de grãos para produção de ração, a preços compatíveis aos custos de produção das referidas culturas, tendo o preço do milho com balizador; e fomentar o setor produtivo, para que as culturas dos cereais de inverno apresentem produtividades compatíveis com a genética dos cultivares disponíveis no mercado.

Se pretende a expansão das áreas de produção de trigo, triticale e cevada, com produtividade compatível a genética de semente (cultivar) disponível, observando a compatibilidade com o custo de produção e as demandas da cadeia de proteína animal do Estado.

Áreas pretendidas conforme a cultura: trigo: 100 mil hectares; triticale: 10 mil hectares e cevada: 10 mil hectares. A área potencial para o plantio de culturas de inverno em Santa Catarina é de aproximadamente 600 mil hectares.

São metas de médio prazo: disponibilizar às cooperativas e produtores cultivares geneticamente melhoradas de trigo, triticale e cevada; pacote tecnológico para maximizar a produtividade de cada cultivar; e apresentar às agroindústrias recomendações nutricionais para uso destes cereais na alimentação de suínos e aves.

Dentro do projeto está descrito as ações que cada um dos 10 organismos envolvidos deverão desenvolver na sua área.

Compete a Ocesc, através das cooperativas, estimular a adesão dos produtores ao programa visando ampliar a oferta de matéria prima para a produção de ração em SC; através da OCB, gestionar junto aos órgãos oficiais para obtenção e recursos para financiar a pesquisa de semente adequada para a produção de grãos de inverno em SC; e em conjunto com a Epagri e Senar, implementar programas de manejo adequado para as lavouras incentivadas.

Compete a Fecoagro suprir as cooperativas participantes com insumos suficientes para atender a demanda da área a ser plantada, em hectares com a tecnologia recomendada; centralizar fornecimento dos insumos agrícolas necessários à área plantada; repassar às cooperativas, de acordo com a opção de cada uma, os volumes de fertilizantes (NPK e ureia) de suas marcas, necessários para o plantio da área definida e as sementes de trigo e triticale, que assegurem produtividade mínima por hectare, conforme recomendação do pacote tecnológico e prazo de pagamento de safra. Também é atribuição da Fecoagro participar das negociações para a aquisição das sementes de trigo e triticale de acordo com as tecnologias recomendadas, em volumes suficientes para plantio da área planejada; e em conjunto com a Secretaria da Agricultura ordenar a contratação do seguro da lavoura.

O secretário Ricardo de Gouvêa já assegurou que o Governo do Estado vai ajudar no com subsidiamento dos custos do seguro das lavouras, a fim de reduzir os custos de produção aos agricultores.

 

Com informações Fecoagro

Foto: Pixabay

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