-
Postado em 08 de Abril de 2020 às 13h25

FAESC analisa os impactos da pandemia no agronegócio

Opinião (34)

A crise provocada pelo novo Coronavírus paralisou atividades, estagnou setores e impactou diretamente na economia nacional. Apesar de considerada atividade essencial desde o início da pandemia, a produção de alimentos que mantém-se na ativa, também sentiu os efeitos das medidas de combate ao vírus. Em Santa Catarina, esses impactos do agronegócio foram analisados pelo presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Faesc) José Zeferino Pedrozo.

Segundo ele, alguns setores do Agro foram mais impactados. O transporte de produtos e mercadorias produzidas no Estado mantém o fluxo, porém com limitações por conta das restrições impostas pelo decreto de isolamento.

Devido à proibição de aglomerações em todo o território catarinense, as tradicionais feiras agropecuárias também foram suspensas. Estavam previstas 52 só para os meses de março, abril e maio no Estado – 106 no ano. Sem as feiras e leilões, grande parte dos terneiros ficou retida nas fazendas de Santa Catarina a espera de comercialização, justamente no período de maior demanda, que ocorre nos meses citados.

Para minimizar os efeitos, a Faesc conseguiu com o Governo do Estado a liberação da comercialização via leilões virtuais, experiência pioneira em Santa Catarina. De acordo com Pedrozo, os sindicatos de todo o Estado estão se preparando para a novidade para tentar reparar as perdas.

"Os leilões seguirão regras do setor da saúde estadual, sem a presença de público. Também haverá a venda direta nas propriedades, com a presença apenas do comprador. É uma experiência nova, não sabemos como vai ser ainda porque não temos essa cultura aqui no Estado, mas esperamos que em abril e maio possamos reparar um pouco esta expectativa negativa que tínhamos neste setor", ressalta Pedrozo ao destacar a preocupação e a expectativa da Faesc.

"Dizer que não tivemos prejuízos é faltar com a verdade, até porque houve paralisação abrupta do fluxo do comércio em todos os setores. A preocupação existe e a expectativa é que nós tenhamos, paulatinamente, em Santa Catarina, a abertura de todo o comércio".

O presidente da Faesc também destaca que a pandemia está provocando mudanças na rotina dos produtores rurais e da indústria, que assim como todos os brasileiros, aumentaram o rigor das medidas preventivas e protetivas na saúde.

"Temos que reconhecer que assim como ocorreu em outros setores, indústria e comércio por exemplo, o setor da agricultura também está sentindo o revés dessa situação aqui em Santa Catarina. Mas, podemos afirmar com tranquilidade que o agronegócio catarinense mantém o fluxo da atividade e é setor essencial para superar a crise", afirma Pedrozo.

Demais setores

Apesar das chuvas recentes, a estiagem ainda reflete no Estado. O período seco reduziu em 20% a produção de leite em Santa Catarina, segundo dados e informações fornecidas pelas próprias agroindústrias do setor.

A colheita de grãos já está no final, com produção fluindo dentro da normalidade. Apesar dos reflexos da estiagem, o setor de grãos está sendo beneficiado pelos preços vigentes, principalmente do milho e da soja, produtos de exportação alavancados pelo dólar acima dos R$ 5,00.

O presidente da Faesc destaca que não há escassez de insumos agrícolas no Estado, nem descontrole de preços, assim como segue normal o abastecimento de produtos como sementes, fertilizantes, vacinas, corretivos de solo, genética e rações.

 

Por Jozé Zeferino Pedrozo, presidente da Faesc

Veja também

O leite e a segurança alimentar18/06/20 A produção de leite é uma atividade que se instalou em território catarinense na primeira metade do século passado, mas foi a partir da década de 1960 que começou a incorporar melhorias com a importação de vacas puras de origem da Alemanha. A partir de então se desenvolveu uma (inicialmente) lenta e contínua incorporação de......
O 'corona' nos reeduca!14/04/20 O mundo tem um histórico de crises, a exemplo das fases que sucederam as duas Grandes Guerras no século passado, porém, cada momento e cada geração devem ser analisados individualmente. O tempo atual é de......
O impacto da Covid-19 na produção de proteína animal08/04/20 O agronegócio brasileiro tem um importante papel a cumprir no novo cenário mundial: ajudar a alimentar o mundo, seja na produção de grãos ou de proteína animal. O impacto da Covid-19, ou coronavírus, representa......

Voltar para EDITORIAS