-
Postado em 02 de Abril às 18h47

Elas e Eles não foram para casa

Opinião (33)

Em meio à pandemia de Covid-19, o famigerado Coronavírus, gostaria de contar que Elas e Eles não foram para casa. E quem são Elas e Eles? São os milhões de mulheres e homens trabalhadores do agronegócio no país e seus líderes que, neste momento, plantam, colhem, ordenham e realizam todas as atividades necessárias no campo para que todos possam ter comida na mesa. O Agro irá contribuir significativamente mais uma vez com o Brasil.

No campo não há home office. Há contato constante com a terra, o cuidado com a lavoura e com os animais: são bovinos, suínos e aves já cuidados nas mais altas condições de higiene e tecnologia. No campo não há trabalho remoto porque não é possível pausar o crescimento da soja, do milho e do feijão, das uvas, do café por três ou quatro meses. A safra, que vai garantir comida por muitos meses a todos, não espera. Quando uma galinha - ou milhares delas -coloca ovos, têm que ser imediatamente enviados aos mercados para o consumo das pessoas, de preferência bem frescos. E tem que abastecer todos os dias dos supermercados.

Mas Elas e Eles não estão só no campo. Estão também dentro de unidades industriais nas quais os alimentos são refinados, enlatados, defumados, refrigerados. Não estou sequer falando daquela lasanha pronta que você coloca no micro-ondas, mas de produtos básicos que não podem faltar nas casas de quem faz home office. A farinha que faz o pão que está em seu café da manhã é o resultado do trigo que alguém produziu, colheu e moeu. A manteiga, outro produto básico, idem. E a soja, que faz o óleo, base de boa parte das receitas dos brasileiros, do arroz básico ao feijão temperadinho, idem. Sem citar as carnes frescas, congeladas ou enlatadas: o peito e a sobrecoxa de frango, o bife e o lombinho que vão para a mesa.

Podemos passar os olhos pela despensa e os refrigeradores dos que armazenaram esses e outros itens em casa para entender que uma parte considerável do que vai nos manter com saúde durante o período de quarentena, de quem pegar ou não o covid-19, passou pela cadeia do agronegócio. E é por isso que a mão de obra do campo e suas lideranças não podem parar: são Elas e Eles os responsáveis por fazer com que tudo chegue ao supermercado após passar por processos de segurança, com rapidez e em embalagens confiáveis.

Muito se tem falado dos principais guerreiros dessa linha de frente no combate ao coronavírus, que são os médicos, enfermeiros e todos os profissionais de saúde. Eles estão colocando a vida em risco para salvar a sua vida e a da sua família. É uma missão que exige muito preparo e muito altruísmo. A missão do agro não é linha de frente, mas é backstage. É um trabalho invisível, que pode não parecer essencial. Mas que é. E, no caso do Brasil, o agronegócio não abastece apenas às famílias brasileiras, mas a boa parte do mundo e garante renda e divisas. Não importa se somos pequenos ou grandes produtores ou uma indústria de processamento de alimentos.

O agro hoje é bastante tecnológico, mas ainda depende muito da mão do homem. Há poucos dias concedi uma entrevista a uma importante publicação do segmento sobre a transformação do agronegócio, explicando como o agronegócio no Brasil é disruptivo e já chegou à era do 5G. Mas ressaltei que uma das grandes qualidades de nosso pessoal que está na terra é a liderança: uma liderança que compartilha conhecimento, tem grande capacidade analítica de dados e que pode lidar com serenidade ao grande volume de informações que estamos vivendo, para garantir comida na mesa de todos hoje e sempre. Vamos apoiar o Brasil onde somos a seleção global do agronegócio.

Segura peão! Vamos em frente.

 

Por Jeffrey Abrahams, sócio-gerente da Fesa Group, consultoria especializada em gestão de talentos e desenvolvimento organizacional

Veja também

Infraestrutura, o grande gargalo26/09/19 O Brasil vive tempos difíceis. Desde 2014, o País enfrenta uma severa crise econômica que deixa suas sequelas no desemprego, no empobrecimento da população e no baixo nível de investimentos das empresas e do governo. Apesar desse quadro, um tênue clima de otimismo começa a se formar para 2020, o ano que marcaria a retomada do crescimento. O que está......

Voltar para EDITORIAS