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Postado em 27 de Abril às 10h40

Eficiência de mão de obra nas propriedades leiteiras é atingida em apenas 36% dos casos

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Dados do Projeto “Campo Futuro”, uma parceria entre a CNA e o Cepea, demonstram a grande importância dos custos com mão de obra no fluxo de caixa da atividade leiteira. Considerando-se a “média Brasil”, que envolve os estados de BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP, a mão de obra representa aproximadamente 15% dos custos das propriedades, chegando a superar 60% em algumas regiões. Mesmo com a grande relevância nos custos, na maioria dos levantamentos realizados pelo Projeto Campo Futuro não há indicação de eficiência na utilização da mão de obra nas propriedades.

Para mensurar a produtividade da mão de obra e analisar se está ou não havendo eficiência, deve-se comparar o volume de leite produzido diariamente (em litros) e o número de pessoas envolvidas na produção. Em sistemas com ordenha mecanizada, o referencial de eficiência é de 300 L/homem/dia. Dentre os 105 levantamentos realizados desde 2008 em regiões com predomínio de ordenha mecanizada, esse número só foi atingido em 36% dos casos.

A propriedade típica de Macuco (RJ) é um exemplo de como a baixa produtividade da mão de obra pode afetar negativamente o resultado financeiro da atividade leiteira. Nessa região, a produção modal apresenta pequeno volume diário e baixo nível de adoção de tecnologia. Lá a mão de obra contratada é o principal custo, comprometendo R$ 0,46/ litro, o que representa 34% da receita da atividade.

Como a produção diária é baixa, o custo do funcionário contratado não é diluído, gerando grande impacto no fluxo de caixa. Essa condição também é detectada ao analisar a produtividade de 134 litros/homem/dia, valor 55% inferior ao referencial de eficiência.

No caso de Macuco (RJ) o custo do funcionário, de R$ 2.183,70 (salário de R$ 1.500,00 mais os encargos), é superior à margem bruta mensal de R$ 1.071,57 gerada pela atividade. Nesse cenário, o produtor se vê na necessidade de aumentar a produção de leite por vaca, gerando ganhos de produtividade. Dessa forma, haveria um volume maior de receitas para diluir o custo da mão de obra contratada.

O ponto de partida para a mudança de situação envolve o aprimoramento de práticas de manejo, visando a melhoria da eficiência produtiva. Duas estratégias simples a serem adotadas e que não refletem necessariamente em aumento dos custos são o arraçoamento estratégico e a composição ideal do rebanho.

Para estabelecer o arraçoamento estratégico, é necessário pesar rotineiramente a produção de leite de cada vaca e manter anotações sobre datas de cobertura/inseminação, parto e secagem. Dessa maneira é possível dividir o rebanho em lotes homogêneos e garantir que cada grupo estará ingerindo a quantidade ideal de alimento para exprimir seu potencial produtivo.

No que diz respeito da composição do rebanho, a propriedade típica de Macuco se encontra em desequilíbrio. As vacas em lactação correspondem a apenas 23,7% do rebanho, percentual distante do valor de 55% considerado como referência. A solução é comercializar bezerros (as) e novilhas, mantendo apenas o número de animais necessário para a reposição das vacas. Além disso, há apenas 38,9% de fêmeas em lactação dentre o total de matrizes. Para melhorar esse indicador e deixá-lo mais próximo do referencial de 83% deve-se descartar vacas com problemas reprodutivos, o que poderia gerar caixa para aquisição de animais em lactação.

Outro ponto fundamental é reduzir o intervalo entre partos por meio da melhora do aporte nutricional do rebanho. Outro indicador que corrobora as estratégias e demonstra a baixa eficiência da mão de obra é o de Vacas em Lactação por colaborador. A referência para o sistema de produção de Macuco é de 25 vacas em lactação/homem, porém nessa propriedade modal há apenas 17,12. Ou seja, além do aumento de produtividade das vacas, ainda é necessário ajustar o rebanho em lactação, uma vez que existe a possibilidade de aumentar em 47% o número de vacas em lactação sem que haja necessidade de um novo funcionário.

É importante frisar que qualquer estratégia a ser adotada deve focar no aumento de produtividade, mantendo os custos de produção equilibrados. Assim o volume de leite produzido será superior e permitirá a diluição dos custos, principalmente, a mão de obra, maior desembolso da atividade em Macuco.

Fonte: Projeto Campo Futuro, executado pela CNA em parceria com o SENAR e o Cepea/USP

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