Postado em 23 de Novembro de 2018 às 16h56

Biossegurança para uma produção com menos riscos

Avicultura (9)
Revista Setor Agro & Negócios Questões de segurança e sanidade dos animais ainda são os principais desafios nos aviários de aves de postura.   Produzir ovos pode ser uma tarefa difícil,...
Questões de segurança e sanidade dos animais ainda são os principais desafios nos aviários de aves de postura.
 
Produzir ovos pode ser uma tarefa difícil, principalmente se o produtor não estiver atento há algumas questões fundamentais de sanidade e biosseguridade das aves. Esses dois itens são extremamente importantes, pois é a saúde dos animais que vai garantir a qualidade dos ovos.
Existem diversos modos de criar essas aves poedeiras e por isso,  a importância de ter todo o cuidado possível no manejo delas. A adoção de medidas de biosseguridade, aliada a uma ração bem elaborada que consiga manter todas as propriedades nutricionais necessárias, pode garantir o sucesso na produção dos ovos, é o que indica o diretor executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (ASGAV) e Coordenador do programa Ovos RS, José Eduardo dos Santos.
Outro fator relevante para a alta produtividade e qualidade dos ovos é o bem-estar das aves. De acordo com a pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, em Concórdia/SC, Fátima Regina Ferreira Jaenisch, o bem-estar engloba um conjunto de fatores, utilizados para proteger os animais de situações que geram risco e estresse. Essas condições podem comprometer toda a cadeia produtiva do ovo. Além disso, a pesquisadora fala da importância da adoção de boas práticas de produção (BPP) “práticas de biosseguridade reduzem os riscos de contaminação do plantel, uma vez que limita a exposição das aves às possíveis contaminações”.
 
Biosseguridade
Medidas de prevenção para proteção de plantéis de aves são parte vital da manutenção da atividade de avicultura de postura. É preciso tomar alguns cuidados desde o início da produção, com a aquisição de aves vacinadas previamente e vindas de incubatórios certificados. Outro fator destacado pela pesquisadora da Embrapa e que merece atenção redobrada, é a higienização do aviário, atendendo o período mínimo de 15 dias de vazio sanitário. “Cuidados com conforto térmico, fornecimento de água potável e alimentação de boa qualidade, livres de patógenos também fazem parte desse conjunto de medidas”, indica Fátima.
Pelo fato do Brasil ser um país tropical com pontos de rotas migratórias de algumas aves, é de extrema importância a adoção das medidas de biosseguridade nas propriedades de produção de aves comerciais. “Todos os procedimentos que determinam adequações e regras de biosseguridade devem ser levados em conta e aplicados. Isso garante considerável proteção”, fala José Eduardo do Santos.
Cuidados diários são muito importantes para manter o estado de saúde das aves em dia, aves mortas e resíduos, por exemplo, devem ser removidos o quanto antes do aviário e trabalhados em compostagem ou outro método que seja capaz de inativar patógenos. Além disso, devem ser implantados programas para que haja controle de roedores, ácaros e moscas, pois eles são vetores de doenças. Cada aviário deve ter uma ficha de registro dos procedimentos realizados na granja, incluindo manejos, vacinações e medicações.
 
5 itens que devem ser respeitados para a condição de bem-estar das aves
1) Livres de medo e angustia,
2) Livres de dor, sofrimento e doenças,
3) Livres de fome e sede,
4) Livres de desconforto,
5) Livres para expressar seu comportamento normal.
 
Desinformação
            Não conhecer as técnicas de avicultura de postura e falta de informações sobre questões de sanidade animal e biosseguiridade são itens que fazem com que produtores desistam de manter suas granjas. Para Fátima, é preciso que haja conscientização de todas as pessoas envolvidas no processo de produção e a constante atualização através de treinamentos sobre as normas vigentes e das boas práticas de produção.  “O sucesso depende da participação de todos os envolvidos na cadeia avícola. Os riscos do setor são similares aos de outros empreendimentos, toda atividade exige cada vez melhor gestão”, fala a pesquisadora.
Prova disso, são dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) de 2016, que indicam que somente 0,43% da produção total de ovos no Brasil foi para exportação.
 
ESTADOS QUE MAIS PRODUZEM OVOS
1º Minas Gerais - 40,09%
2º Rio Grande do Sul - 33,48%
3º São Paulo - 23,61%.
 
Doenças
Essa mesma desinformação quanto à biosseguridade e sanidade animal é o que colabora para a aparição de algumas doenças nos planteis . A mais comum é a salmonelose, que gerou alguns surtos da doença em humanos, principalmente entre os anos de 2013 e 2014, como mostram alguns dados do Ministério da Saúde.
Além dela, os animais ainda podem ter bronquites infecciosas, laringotraqueíte e outras doenças que rondam as aves “caso os produtores e avicultores em geral, não tomem os devidos cuidados e proteção, o plantel avícola se torna vulnerável e frágil perante a vasta existência de vetores que conduzem vírus e bactérias causadores de doenças e até mesmo danos na qualidade dos ovos e da carne de frango”, alerta José Eduardo Santos.
 
Fotos César Machado/Agrostock

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