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Postado em 03 de Setembro às 18h28

Agroindústria: exemplo em sanidade

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A rotina mudou e novos processos foram anexados ao que já era feito para manter a qualidade dos alimentos.

O Brasil é reconhecido internacionalmente por sua vocação agrícola. É autossuficiente na produção de alimentos e um dos grandes exportadores para o mundo. Hoje, a proteína animal nacional chega a 194 países.
As agroindústrias sustentam uma extensa cadeia de produção, que começa desde o compromisso com a sanidade animal até o transporte do produto final para comercialização. Por isso, a jornada de trabalho de quem move essa cadeia continuou ativa durante a pandemia.
E para manter a saúde dos trabalhadores e a economia ativa, os cuidados necessários de prevenção estão sendo seguidos à risca. Muito antes das orientações de prevenção contra a Covid-19 serem aconselhadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), as agroindústrias já seguiam um protocolo rígido de higiene, para manter a qualidade de seus alimentos. Agora, ele se tornou ainda mais intenso.

As agroindústrias já seguiam um protocolo rígido de higiene, para manter a qualidade de seus alimentos para comercialização. Agora, ele apenas se tornou ainda mais intenso.

Muitas frentes foram montadas para organizar e estabelecer esses protocolos adicionais. Em Santa Catarina, entre os principais atores que ressaltam a relevância do setor e a necessidade de continuidade das atividades dos frigoríficos estão o próprio Poder Executivo do Estado de Santa Catarina ao declarar esta como atividade essencial por meio de Decreto, Deputados que integram a Comissão de Agricultura e Política Rural na Assembleia Legislativa, o Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados no Estado de Santa Catarina (Sindicarne), a Associação Catarinense de Avicultura (Acav), a Associação das Indústrias de Carnes e Derivados do Estado de Santa Catarina (AINCADESC) e outras entidades cooperativas e associativas ligadas ao setor.
O gerente executivo da ACAV, SINDICARNE e AINCADESC, Jorge Luiz de Lima revela que o setor conseguiu antever o percurso da doença em outros países, assegurando-se no momento de sua chegada. "O nosso setor é grande e conta com três tipos de indústrias: as de pequeno porte, as de médio porte e as de grande porte. Estas duas últimas costumam ter plantas dentro do país e fora dele e isso nos beneficiou no período de Covid-19. Nós pudemos antever o que aconteceu fora do Brasil e nos preparamos no ambiente interno das empresas", explica.

“Nós pudemos antever o que aconteceu fora do Brasil e nos preparamos no ambiente interno das empresas”, Jorge de Lima.

Além disso, essas empresas não guardaram seus protocolos de contingência para si, mas sim pulverizaram com as demais. "Esses planos foram criados por especialistas na área de infectologia. Então, a nossa entidade em nível nacional por centralizar algumas ações, com apoio de entidades estaduais e as empresas, costurou o plano de contingência com o plano que cada empresa tinha e alinhou isso com profissionais qualificados. Nos utilizamos de pesquisa sobre como fazer e conseguimos associar essas duas vertentes para construir uma estratégia de prevenção", esclarece Lima.

A falácia sobre as agroindústrias

Apesar de todos os protocolos pensados e os cuidados tomados pelas agroindústrias, estas sofreram uma falácia: de serem o principal local de disseminação do novo coronavírus.
Segundo o gerente executivo Jorge Luiz de Lima, o setor agroindustrial já é um setor que pela produção de alimentos, necessariamente precisa tomar cuidados redobrados. "Existem algumas coisas que são importantes frisar. O nosso ambiente pré-Covid já era extremamente seguro. Já se usavam máscaras, toucas, botas, luvas e óculos, todos os EPIs aprovados e regulamentados de acordo com as NRs e voltados para a sanidade na produção de alimentos. Porém, diferentemente do que nós temos dentro da agroindústria, no ambiente comunitário boa parte das pessoas não estão mantendo os devidos cuidados".
Ele ainda aponta uma comparação entre o ambiente agroindustrial e o ambiente comunitário, ressaltando que o primeiro está trazendo um benefício para as pessoas porque as deixa 8 horas por dia em um ambiente protegido com EPIs de segurança, coisa que no ambiente comunitário não se encontra.
Outro ponto ressaltado por Lima é a comparação do ambiente agroindustrial com os demais. "Qual outro setor foi fiscalizado como as agroindústrias?", questiona.

Sanidade acima de tudo

Em 2019 o Brasil exportou produtos de origem animal para 194 diferentes países. Foram mais de 25 milhões de toneladas de carnes e derivados, 60 mil toneladas de derivados lácteos, 660 mil quilolitros de leite e derivados, além de 63 mil toneladas de pescados e derivados.

Para poder atender a essa demanda e ser reconhecido pela qualidade de seus produtos, o país registrou até final de dezembro de 2019 através do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento 3.274 estabelecimentos nacionais sob supervisão do Serviço de Inspeção Federal, sendo todos aptos à exportação de produtos de origem animal, além de 436 estabelecimentos relacionados registrados.
Segundo o relatório de gestão de 2019 do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal, entre janeiro e dezembro foram emitidos pelo Serviços de Inspeção Federal 164.881 Certificados Sanitários Nacionais (CSN) e 73.205 Guias de Trânsito (GT), para o acompanhamento de cargas de produtos de origem animal em território nacional. No mesmo período, foram emitidos 371.988 Certificados Sanitários Internacionais (CSI), que acompanham os carregamentos de produtos de origem animal durante o trânsito internacional.

“Regularmente somos auditados por países para os quais enviamos nossos produtos, o que só afirma a excelência e qualidade da nossa produção de alimentos”, comenta Lima.
Um bom exemplo de todo esse cuidado na produção de alimentos é Santa Catarina. O Estado comemorou em maio deste ano o status de 20 anos sem vacinação contra a febre aftosa e 28 anos sem a doença no rebanho. Em 2015 também recebeu certificação internacional emitida pela Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) de zona livre de peste suína clássica.

E que aprendizados a Covid-19 vai deixar para as agroindústrias?

Para Jorge Luiz de Lima, o coronavírus vai deixar três elementos de aprendizado. “O primeiro deles é que algumas práticas vieram para ficar, na intensificação de higiene. Segundo, regulamentação. Nós temos que criar regulamentações em tempos de paz para tempos de guerra, ou seja, nós não podemos só criar algumas regulamentações no momento que todo mundo está correndo para apagar esses incêndios. O terceiro é que o setor público e o setor privado não funcionam isoladamente. A integração entre os dois neste momento, sem dúvida alguma, demonstrou que essa parceria é o que nos habilita hoje a estarmos em uma situação melhor, olhando para SC em relação aos demais Estados do país. O nosso setor quando anda em parceria, de mãos dadas, nos traz quesitos positivos”, pontua.

 

 

Foto por MB Comunicação

Matéria originalmente publicada na Revista Setor Agro&Negócios

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