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Postado em 26 de Novembro de 2020 às 22h41

7 dicas para realizar um programa de biosseguridade eficiente em incubatórios

Avicultura (37)

Manter o monitoramento nos principais pontos de entrada de doenças no incubatório pode garantir a produção de aves de qualidade e com melhores resultados

Os incubatórios são criadouros que passam por constantes ameaças de patógenos, devido às condições climáticas no interior do ambiente, circulação de pessoas, tráfego de veículos de diversos locais e entrada de materiais. Somado a isso, a alta rotatividade de ovos que chegam vindos de diversas granjas contribuem para que os incubatórios tenham condições ideais para a ocorrência de problemas, como baixa eclosão de ovos, ovos podres e ovos bomba, transmissão de doenças cruzadas e infecção do saco da gema, que provoca o aumento da mortalidade na primeira semana da ave.

Incluir um processo de biosseguridade no incubatório é essencial para prevenir a entrada de patógenos e fazer o gerenciamento dos principais vetores. Além disso, um processo de biosseguridade eficiente impede o transporte de patógenos para dentro do incubatório para que não ocorra a contaminação cruzada. Veja a seguir 7 dicas importantes que devem ser seguidos para que o processo de biosseguridade ocorra de forma eficaz.

1. Gerenciamento de vetores

A principal matéria-prima do incubatório também pode ser o mais importante meio de contaminação externo. Os ovos incubáveis que chegam, quando não são de boa qualidade, devido a um manejo inadequado ou a uma desinfecção mal feita, tendem a carregar patógenos e, consequentemente, contaminar os demais no incubatório. Os principais patógenos oriundos das granjas e que podem afetar a produção, são:

BACTÉRIA:

  • Escherichia coli
  • Salmonella spp.
  • Pasteurella spp.
  • Clostridium perfringens
  • Streptococcus spp.
  • Staphylococcus spp.
  • Pseudomonas spp.

FUNGO:

  • Aspergillus

VÍRUS:

  • Doença de Newcastle
  • Bouba
  • Bronquite
  • Encefalomielite
  • Reovírus
  • Doença de Marek
  • Leucose
  • Laringotraqueíte Infecciosa das aves
  • Doença de Gumboro

MYCOPLASMA:

  • Mycoplasma gallisepticum
  • Mycoplasma gallinarum

Alguns destes patógenos também podem ocorrer de uma transmissão vertical, ou seja, da mãe para os ovos, por isso, o controle sanitários das granjas e o monitoramento das reprodutoras deve fazer parte do programa de sanidade.

2. Circulação de pessoas e procedimentos de higiene

As políticas de acesso ao incubatório devem exigir o registro no caderno de visitas. Visando determinar riscos à biosseguridade, a entrada de pessoas deve conter a descrição do local onde o visitante esteve nas últimas 72 horas, além da informação se houve contato com outras aves neste período e se o mesmo apresenta algum sintoma de gripe ou diarreia. Logo após o registro, é necessário instruir sobre o banho e a troca de roupas externas por uma roupa interna e já desinfetada.

A higiene pessoal dos visitantes deve ser cobrada na entrevista antes do registro de visita. É de extrema importância que sejam mantidos aparados a barba, cabelo e unhas. No programa de biosseguridade é importante que ocorra a visita programada nas residências dos funcionários para verificação do cumprimento das regras de não possuírem criação de aves em casa.

3. Desinfecção e utilização de equipamentos

Todos os equipamentos ou materiais de trabalho dos incubatórios, como ferramentas de terceiros, notas, caixas de coletas e outros, devem estar limpos e desinfetados antes de entrar nos ambientes. Esta desinfecção pode ser feita de maneira seca ou úmida, de acordo com os materiais a serem desinfectados.

A desinfecção seca é feita através de fumigadores com ozônio e formaldeído, indicada para os casos em que os materiais não possam pegar umidade. Já a desinfecção úmida é realizada através da pulverização de desinfetantes em materiais maiores, que não corram o risco de ser danificados pelos gases formados pelo formaldeído. No caso de aparelhos eletrônicos, a desinfecção deverá ser realizada com pano úmido e detergente ou álcool.

4. Controle de pragas

Ao redor do incubatório a vegetação deve ser mínima e com um controle rígido para manter longe os roedores e insetos. É preciso também estar sempre alerta para vestígios da presença destes animais no terreno, como restos de comida e excrementos.

Um programa rígido de controle de pragas deve ser estritamente seguido e registrado. Iscas e armadilhas para roedores devem ser inspecionadas e trocadas semanalmente ou quinzenalmente, dependendo do tamanho do desafio e da frequência em que ocorre o aparecimento destes animais. A mesma atenção deve ser dada à resistência aos raticidas, para saber se o produto aplicado está sendo efetivo ou não.

É necessário dar atenção também para os resíduos de ovos, que podem atrair insetos. Para evitar infestações no interior do incubatório é importante a instalação de vedação de portas e sistema de telas. A aplicação de inseticida também é necessária quando houver o aparecimento de moscas e mosquitos.

5. Contaminação cruzada

Para prevenir a contaminação cruzada é importante a utilização do fluxo unidirecional, conforme figura abaixo:

A utilização do “All in – All out” no interior do incubatório deve ser seguido. Todas as pessoas e materiais de trabalho não devem passar da área suja para área limpa sem que tenha sido realizada uma desinfecção ou banho e troca de roupa específica para a área.

Os carrinhos e bandejas de incubação ou nascimento devem ser lavados e desinfectados antes de voltar às incubadoras e nascedouros.

6. Limpeza e desinfecção

Poucas áreas na cadeia avícola são mais propícias a multiplicação de patógenos que o incubatório, pois seu ambiente tem a temperatura e umidade mais favoráveis ao crescimento de fungos e bactérias. Por isso, o melhor método para matar os patógenos é a limpeza e a desinfecção, que deve ocorrer de forma constante.

A limpeza remove de 80 a 85 % dos microrganismos e deve ser bem feita, caso contrário, a desinfecção, que é o próximo passo, não terá seu efeito desejado. O procedimento de limpeza pode ser feito:

  • Com ou sem a utilização de uma máquina de alta pressão
  • Sempre visando a retirada de sujeiras soltas no incubatório
  • Com aplicação de um detergente que deve agir por 10 minutos
  • Após este período, é necessário enxaguar para remover resíduos
  • O excesso de água e sujeira pode ser retirado com rodo e em seguida um pano seco
  • O ambiente deve ficar totalmente seco para depois ser aplicado o desinfetante

Para maior efetividade da limpeza é importante escolher o detergente mais adequado para o local a ser limpo. Detergentes alcalinos têm a função de remover gorduras e proteínas, já os detergentes ácidos são mais indicados para remoção de minerais. Os detergentes alcalinos e os ácidos podem contem diferentes princípios ativos e fazer pouca ou muita espuma. A escolha dependerá do que será limpo pois, em alguns casos, o excesso de espuma pode danificar máquinas, assim como o cloro pode corroer canos e tubulações.

O desinfetante mais adequado para cada situação deve atender alguns aspectos para ter a melhor ação no incubatório. Os fatores que devem ser avaliados são:

  • Espectro de ação
  • Sensibilidade à matéria orgânica
  • Compatibilidade com detergente, como pH e carga elétrica
  • Segurança das pessoas, materiais e do ambiente
  • Atividade residual
  • Método de aplicação mais indicado (spray, fumaça ou gás)
  • Validade do produto

7. Monitoramento da limpeza e desinfecção

Para que o processo de biosseguridade no incubatório seja eficiente, além dos produtos adequados para a situação e ambiente, é fundamental que ocorra o monitoramento programado nas diversas áreas internas. Este monitoramento é dividido em:

  1. Inspeção visual da limpeza, com a observação de pequenos detalhes, como por exemplo, frestas com sujeiras;
  2. Monitoramento microbiológico de bactérias e fungos através de exposição de placas.Por se tratar de um ambiente propício para o surgimento e proliferação de patógenos, promover um controle adequado e com todos os critérios de desinfecção e de monitoramento são medidas que podem controlar e minimizar perdas decorrentes da contaminação.

O gerenciamento dos critérios que facilitem a entrada destes patógenos, bem como o registro de permanência das pessoas, servem como controle para análise e implantação de medidas que evitem a recorrência de falhas de biosseguridade.

Aliar a utilização de detergentes industriais de qualidade com processos adequados de higiene e o auxílio de profissionais que possam controlar e gerenciar estes processos trarão, certamente, resultados muito mais promissores e de sucesso para o incubatório.

Um bom programa de biosseguridade é essencial para garantir melhores resultados na produção de aves. Confira neste artigo como promover um manejo adequado de ovos férteis da granja ao incubatório.

 

 

 

Texto: BTA Add Innovation

Imagem: Google imagens

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