Postado em 06 de Setembro às 09h05

2º Fórum Sul Brasileiro impulsiona produção do biogás na região Sul

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O Brasil tem capacidade, de acordo com os substratos disponíveis, para produzir mais de 3 bilhões de metros cúbicos de biogás por dia. Isso representa uma geração de energia equivalente a aproximadamente 40% da energia elétrica consumida no país ou 70% do diesel utilizado no território nacional. Porém, atualmente, há produção remente apenas a 0,10% deste potencial.

Para impulsionar a produção na região Sul, bem como fortalecer o ecossistema e identificar possibilidades de negócios é realizado até esta sexta-feira (6) a 2ª edição do Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, em Chapecó. Esta iniciativa proporciona um espaço de discussão sobre a produção e o uso do biogás como fonte de energia e tem correalização do Sebrae/SC, da Unochapecó/Parque Científico e do Tecnológico Chapecó@.

De acordo com o coordenador-geral do Fórum, Clóvis Leopoldo Reichert, os dados de 2018 revelam uma produção de 3 milhões de metros cúbicos de biogás por dia. "Em relação a Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná os números são menores ainda, com uma produção de 732 mil metros cúbicos de biogás por dia nos Estados. Até porque estão cadastrados junto a ABiogás em torno de 140 unidades produtores, por isso há um enorme espaço para ampliar a produção do biogás, para otimizar recursos e gerar renda e desenvolvimento", analisa.

Com a intenção de fortalecer essa cadeia produtiva a programação do evento possibilita discussão sobre políticas públicas, inovação, tecnologia, processos e panorama setorial de oportunidades. O evento conta também com o Espaço Biogás de Negócios, que é um ambiente para que empresas e entidades possam divulgar produtos e serviços, ampliar networking, estabelecer parcerias e realizar negócios.

Reichert enaltece que o evento é importante para região Oeste catarinense por trazer em discussão temas que contribuirão para a sustentabilidade tanto econômica quanto ambiental do setor do agronegócio. "Sabemos que aqui é um polo de produção da proteína animal de relevância para o Brasil. Os animais da região produzem dejetos, que são a matéria-prima para a produção do biogás, uma fonte energética que está disponível, porém é subaproveitada", comenta.

O pesquisador e chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Suínos e Aves, Airton Kunz, explica que a temática tem relevância a todos, porque o biogás e o biometano são fontes renováveis de energia. "Estamos avançando e o levantamento do biogás é algo bastante sedimentado em nossa região. Nosso potencial de geração é muito alto em função dos resíduos gerados. Agora, o desafio é transformar esse potencial em realidade, a partir de sua utilização, ou seja, agregando tecnologia", defende.

"O biogás tem várias possibilidades de utilização, a exemplo de soluções de mobilidade, pois o gás natural que usamos para o abastecimento dos veículos é, exatamente, igual ao biometano purificado. Além disso, o biogás pode ser utilizado em sistemas de aquecimento de aviários, em sistemas de geração de energia elétrica, pois há geradores que podem utilizar o biogás ao invés do diesel", exemplificou Kunz.

Inovação no Agro

O sócio e diretor editorial das plataformas Plant Project e StartAgro, Luiz Fernando Sá, abordou em sua apresentação a "Inovação do agro e as conexões com a cadeia do biogás". De acordo com ele, o Brasil tem escala de produção, espaço para crescer, capital humano e tecnologia para criar o agroexponencial. "O estudo Radar Agtech aponta que em 2016 haviam 75 agTechs (empresas de tecnologia aplicada ao agronegócio) no país. Em 2018 esse número cresceu para 338 e neste ano já atingiu 1.125, o que reforça o espírito empreendedor deste setor e um avanço exponencial, uma vez que temos tantas agTechs quanto os Estados Unidos, com 900", ressalta.

Contudo, Sá alerta para a necessidade de investimentos. Dados revelam que em 2016 investidores aportaram R$ 18 milhões nessas empresas e em 2018 foram R$ 80 milhões. "É um crescimento substancial, porém irrisório se compararmos o potencial deste setor. No mundo as agTechs movimentaram em 2018, a quantia de R$ 17 bilhões, isso representa um acréscimo de 43% no comparativo com 2017", enaltece.

O cenário brasileiro possui uma matriz energética diversificada. De acordo com Sá, os desafios estão relacionados a supremacia do setor sucroenergético, o avanço do etanol de milho e a imagem distorcida sobre os resíduos. Por isso, a visão de futuro remete a criação de incentivos para o surgimento de novas empresas, a promoção de uma operação descentralizada, de fontes adicionais de renda ao produtor, pois toda propriedade rural tem capacidade para ser uma usina de energia.

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Promoção

A realização do 2º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano é do Arranjo Produtivo Local Metalmecânico e Automotivo da Serra Gaúcha (APL MMeA), do Centro Internacional de Energias Renováveis-Biogás (CIBiogás), do Instituto SENAI de Tecnologia em Petróleo, Gás e Energia (IST PGE), da Embrapa Suínos e Aves e da Universidade de Caxias do Sul (UCS)/TecnoUCS. A correalização é da Unochapecó/Parque Científico e Tecnológico Chapecó@ e do Sebrae.

O evento tem patrocínio Ouro da Sicoob e FAPESC, patrocínio Prata do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e patrocínio Bronze de Bombas Beto, ENC Energy, Grupo Cetric, CHP Brasil, Germek, Janus & Pergher, PESA CAT, Companhia de Gás de Santa Catarina (SCGÁS) e Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul (Sulgás).

O apoio é da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), Governo do RS por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Infraestrutura, Fiesc, Fiergs, Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado de Santa Catarina, Sistema Ocergs Sescoop/RS, Sociedade Brasileira dos Especialistas em Resíduos das Produções Agropecuária e Agroindustrial (Sbera), Low Carbon Business Action Brazil, Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial - UNIDO, Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Chapecó e Região Convention& Visitors Bureau, Prefeitura de Chapecó, Associação Brasileira de Recuperação Energética de Resíduos (ABREN), Associação Comercial Industrial Chapecó (ACIC), Federação Nacional de Engenharia Mecânica e Industrial (Fenemi), Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), NRG Hub,e Associação da Indústria de Cogeração de Enregia (Cogen). 

 

Texto e imagens: MB Comunicação
 

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